sábado, 15 de setembro de 2012

LENDAS GREGAS


A TRAGEDIA DE EDIPO
Laio, rei de Tebas, tinha o ar preocupado quando se apresentou no templo de Apolo. Apesar de ter sido coroado há tempos, ainda não tinha filhos — e um rei sem filhos que o sucedam, segundo ele, não tinha valia.
— Apolo, conceda-me a graça de um filho! — pediu Laio.
O deus solar, no entanto, deu uma resposta bem diversa da que esperava o rei:
— Laio, pense duas vezes antes de desejar este filho, pois ele o levará à morte e será também a ruína de sua família.
Quando Laio chegou em casa, porém, sua esposa, Jocasta, o esperava, de braços abertos.
— Laio querido, teremos, enfim, nosso filho! — disse ela, com o rosto radiante. O rei não se mostrou nem um pouco feliz com a notícia.
— O que foi, não era isto que você tanto queria? — perguntou Jocasta, surpresa. Laio resolveu, então, revelar à rainha a sombria profecia que escutara no templo de Apolo.
— Não podemos ficar com esta criança, Jocasta, ela será a nossa desgraça! — disse ele, após enfrentar a resistência inicial da esposa.
O rei argumentou com tanta insistência, mostrando todas as desgraças que poderiam sobrevir ao futuro deles e de seu reino, que Jocasta acabou concordando com a idéia de não criar a criança, desde que não matassem o bebê.
— Faremos, então, o seguinte — disse Laio -, entregarei o menino a um casal de pastores para que o criem bem afastado de nós.
A rainha, apesar de triste por ter de se separar de seu filho, concordou. Pelo menos ele teria o direito de viver e de ser feliz.
Laio, entretanto, havia decidido secretamente dar um fim no seu filho, pois temia que as profecias, de um jeito ou de outro, se concretizassem. No dia do nascimento de seu filho único e primogênito, levou-o, então, a um pastor, dizendo:
— Leve-o até um bosque abandonado e o deixe lá, ao cuidado das feras. O pastor, contudo, penalizado, preferiu dar uma chance à criança, pendurando-a pelos pés no galho de uma árvore; assim, teria ao menos uma oportunidade de que uma alma bondosa a visse e decidisse levá-la consigo.
Um camponês chamado Forbas passava por ali, quando foi atraído pelo choro da infeliz criança. Tomando-a em seus braços, levou-a para casa, onde sua mulher o aguardava para a janta.
— Fiquemos com ela! — propôs a mulher, que não conseguira ter filhos e vira nisto uma bênção dos deuses.
O casal adotou, então, o garoto, que passou a se chamar Édipo — que significa "pés distendidos". O menino cresceu, robusto e saudável, mas sem saber de sua verdadeira situação de filho adotivo. Um dia, durante uma desavença com um colega, este lhe disse, com a voz carregada de maldade:
— Cale a boca, seu enjeitado...
Pulando ao pescoço do outro, Édipo quis saber por que razão ele dizia àquilo. O rapaz confessou, então, que sua mãe contara-lhe que Édipo, na verdade, fora recolhido na floresta e que não era filho natural de Forbas e de sua esposa. Édipo, revoltado, largou tudo no mesmo dia e partiu para Delfos: estava decidido a descobrir de quem era filho. Para tanto, decidiu consultar o famoso oráculo daquela cidade, a fim de que este lhe revelasse algo sobre o seu obscuro passado.
— Não insista em querer saber mais nada! — disse o deus Apolo através do oráculo. — Se você se aproximar de seus verdadeiros pais, levará a eles somente desgraça.
Édipo, sem conseguir descobrir mais nada, retomou seu caminho, já conformado com o seu destino. Porém, quando ia em meio à estrada, foi quase atropelado por uma carruagem, dentro da qual seguia um homem. Esse homem, que se dirigia ao mesmo templo de onde Édipo retornava, era Laio, rei de Tebas e verdadeiro pai do filho adotivo de Forbas. O rei, alertado por alguns sonhos ruins que tivera recentemente, estava indo incógnito até o templo para saber se seu filho estava realmente morto.
— Saia da frente, idiota! — disse, ao ver que o rapaz lhe atrapalhava o caminho. A rude interpelação levou a uma disputa acirrada. Laio desceu do carro para expulsar o rapaz da estrada.
Após uma violenta discussão, deu uma bofetada na cara do rapaz, que puxou de um punhal e enterrou-o no peito de Laio. Percebendo a gravidade de seu ato, Édipo fugiu desesperado e vagou, tentando penitenciar-se. Enquanto isso, um terrível flagelo instalara-se num dos pontos principais da estrada que conduzia a Tebas. Uma esfinge — monstro metade leão e metade mulher — ficava à espreita de qualquer pessoa que passasse. Assim que o infeliz viajante cruzasse o seu caminho, a cabeça do monstro — uma cabeça de mulher - erguia-se sobre as patas e, após desferir um grande rugido, dizia:
— Ninguém passa sem antes decifrar meu enigma.
Todos os que não conseguiam decifrar o enigma eram inapelavelmente mortos e devorados pela sanguinária fera. De tal forma o terror se instalara em Tebas, que já ninguém mais ousava cruzar a estrada, no receio de ser morto pelo monstro. A rainha Jocasta, ao ver que não havia meios de expulsar a criatura, decidiu oferecer a própria mão em casamento àquele que derrotasse a esfinge.
Édipo leu o edital afixado em todas as partes da cidade e decidiu ele mesmo enfrentar a fera. "Não tenho nada a perder, mesmo", pensou, movido mais pelo desespero do que pela coragem: já havia matado um homem e este seria. quem sabe, um meio de expiar sua culpa.
Apresentou-se, então, para decifrar o enigma. Diante do imenso corpo leonino da fera estavam espalhados os restos mutilados dos corpos de dezenas de aventureiros que haviam tentando o mesmo que ele. Por um instante Édipo vacilou. Não estaria cometendo a mesma insensatez que custara a vida de todos aqueles infelizes?
A esfinge, percebendo as vacilações do jovem, esticou os lábios vermelhos, ainda sujos de sangue.
"É um belo rosto", pensou Édipo. "Talvez o verdadeiro mistério esteja em se decifrar o
sentido deste sorriso enigmático, ao mesmo tempo belo e apavorante."
Nem bem Édipo concluíra suas cogitações, quando a cabeça feminina olhou-o nos olhos e disse:
— Qual o animal que pela manhã anda com quatro pés, à tarde com dois e à noite com três?
Édipo, após pensar um pouco, respondeu:
— É o homem; na infância engatinha, na idade adulta anda ereto e na velhice apóia-se a um bastão.
O semblante da fera ensombreceu-se de tal maneira que Édipo julgou ter errado a resposta. Entretanto, a esfinge, com um grande grito de vergonha, lançou-se do alto do rochedo ao abismo, morrendo com o impacto da queda.
Tebas estava finalmente livre do monstro temível; a notícia correu por todo o reino, e Édipo foi levado em triunfo até o palácio onde morava a viúva de Laio.
— Muito bem, meu rapaz — disse Jocasta, ao receber o vencedor. — Você cumpriu a sua parte, livrando o país desse flagelo. Agora é a minha vez de cumprir a minha — completou, estendendo sua mão para o rapaz.
Édipo ainda não podia acreditar no que estava acontecendo. Ele era agora o novo rei de Tebas.
— Estou muito orgulhosa de ter ao lado um rei tão jovem e belo quanto você! — disse Jocasta, agradavelmente surpresa.
No mesmo dia casaram-se.
Mas com a ascensão de Édipo ao trono, começou para o reino uma época de terríveis desgraças. Calamidades de toda espécie alternavam-se: pestes, secas, inundações, fome, tudo juntava-se num torvelinho trágico, de tal forma que Édipo se viu obrigado a tomar sérias providências.
Após receber uma delegação do povo, o jovem rei decidiu enviar um emissário a Delfos para saber do deus Apolo por que Tebas era vítima de tantas desgraças.
"O fim da desgraça só chegará no dia em que o responsável pela morte de Laio for expulso de Tebas", disse o oráculo.
Édipo imediatamente ordenou a toda a gente que não poupasse esforços para que o culpado fosse punido. Vários suspeitos foram presos, alguns mortos, mas nem assim as calamidades diminuíram. Pessoas continuavam a morrer como moscas pelos campos e até na própria cidade, levando a confusão e o desespero a todo o reino.
— Édipo querido — disse um dia Jocasta a seu esposo —, mande trazer até nós o famoso adivinho Tirésias. Ele saberá dizer como deveremos fazer para encontrar o assassino de Laio, pondo um fim a esse sofrimento atroz.
Emissários partiram em busca do mago, até que um dia ele surgiu diante de Édipo.
— Somente o senhor poderá nos dizer a causa de tantas desgraças — disse o rei ao sábio.
O mago, no entanto, parecia pouco à vontade. Com desculpas e evasivas, procurava por todos os meios esquivar-se a dar a resposta definitiva que tanto Édipo quanto Jocasta aguardavam ansiosamente.
Desconfiado de que essa revelação pudesse ter algo a ver consigo próprio, Édipo instou com maior vigor ao adivinho:
— Vamos, fale de uma vez, seja o que for.
Tirésias, vendo que não havia mais meios de fugir à verdade, ergueu então os olhos constrangidos e disse, lançando toda a verdade ao rosto do rei e da rainha:
— Você, rei Édipo, é o assassino de Laio, seu próprio pai...
Édipo e Jocasta, marido e mulher, mãe e filho, entreolharam-se, incrédulos.
— Não pode ser, não é verdade! — exclamou Jocasta, recuando com um grito de horror.
Imediatamente Édipo mandou chamar à sua presença Forbas, o pastor que o criara como filho. Este, de cabeça baixa, concordou, confirmando todas as palavras do adivinho.
— Você, o meu filho, o meu filho! — repetia Jocasta, como para entender o sentido dessas terríveis palavras.
E então, sem atinar com o que fazia, correu até o seu quarto, onde se trancou, totalmente surda às súplicas de Édipo:
— Jocasta, nós não tivemos culpa alguma, foi uma fatalidade do destino! -E repetia, transtornado: — Uma fatalidade do destino, nós não tivemos culpa alguma. — Mas Édipo, parricida e incestuoso, não acreditava no que dizia.
Vendo que ela não respondia, ele arrombou a sólida porta com o auxílio dos serviçais do palácio. Ao entrar no quarto, Édipo foi o primeiro a ver o corpo ia mãe a balançar-se, preso numa viga do teto. Num ato instintivo, pegou um dos colchetes de ouro que prendiam as vestes de Jocasta e furou ambos os olhos.
— Assim como não tive olhos para ver os crimes abomináveis que cometi, também não os terei para ver mais nada neste mundo! — disse o rei, de cujas órbitas dilaceradas escorriam listras vermelhas de sangue.
Os filhos homens de Édipo, Etéocles e Polinice, ao saberem da terrível revelação, decidiram dar cumprimento ao oráculo de Apolo, que dizia que as calamidades somente cessariam no dia em que o culpado pela morte de Laio fosse expulso do reino. Jogando um manto sobre os ombros do pai cego, levaram o ex-rei até os limites da cidade e ali o abandonaram à própria sorte. Entretanto, Antígona, uma das filhas de Édipo, foi atrás do pai, tentando demover seus pérfidos irmãos daquele ato de crueldade filial:
— Vocês não podem fazer isto com o nosso pai! — disse Antígona. — Isto seria repetir de maneira pior os crimes que ele cometeu, pois ele os cometeu de maneira involuntária.
— Cale-se! — disse um dos irmãos de Antígona. — O oráculo foi bem claro: ou este assassino incestuoso deixa nosso país ou nosso país será arrasado definitivamente !
O outro irmão também juntou a sua voz à do primeiro, ocultando a sua ganância por detrás da desculpa do bem comum.
— Muito bem, então irei com ele! — disse Antígona, enrolando um véu sobre a cabeça.
E assim seguiram — a filha amparando o pai, cego e consumido pelo remorso — por incontáveis estradas, até que um dia Édipo faleceu de desgosto, tendo como único consolo para sua dor a dedicação de Antígona, que surgira em meio a tantas desgraças como se fosse um presente dos deuses, envergonhados talvez de tê-lo perseguido com tanta crueldade desde o seu primeiro dia de vida.


sábado, 1 de setembro de 2012

VIAJAR

Que bom é viajar!Conhecer lugares históricos. Mas como nem sempre é possível, que tal uma viajem virtual pelos lugares mais belos do mundo? Acesse o link e viaje
http://www.airpano.com/files/Egypt-Cairo-Pyramids/2-2 Boa viajem.Leve somente o essencial, a vontade de conhecer e estar neste lugares maravilhosos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Semana da Patria


Na próxima semana estaremos celebrando a semana da Patria. Este ano o lema é "Construir um Brasil que avança está em nossas mãos". Acessem o site e vejam que informações importantes para que possamos conhecer a história do nosso pais. Boa leitura.
                                                http://www.planalto.gov.br/setedesetembro/

domingo, 26 de agosto de 2012

TODO DIA É POSSÍVEL VIVER EM PAZ

"A paz começa quando abrimos espaços de participação para todas as mulheres e para todos os homens de todas as idades, de todas as raças, de todos os credos e nacionalidades."

TOSCO

Oi, pessoal



Chegou na escola o Livro Tosco. A 7ª  series e as 8ª séries estão lendo o livro e irão desenvolver atividades sobre o mesmo. Algumas ilustrações do livro para vocês. A historia deste livro é muito legal.

domingo, 19 de agosto de 2012

TEMAS REDAÇÃO ENEM 2012

Pessoal do Ensino Médio, leem os possíveis temas da redação do ENEM 2012, e desde já se preparem


Enem - Redação

Os temas abordados na Redação do Enem costumam ser assuntos da atualidade do Brasil e do mundo, por isso é necessário estar sempre atualizado com as notícias e informações do dia a dia. Confira, a seguir, alguns temas que foram notícia no ano de 2011 e 2012 e que podem vir a ser cobrados na Redação do Enem deste ano.
redação enem
  • Aborto de anencéfalos
  • A influência das redes sociais
  • Álcool X Trânsito
  • As questões ambientais
  • Ascensão da mulher no Brasil
  • Bullying
  • Censo demográfico 2011
  • China
  • Redes sociais
  • Copa 2014
  • Criminalidade infantil
  • Diversidade sexual na adolescência
  • Divisão do estado do Pará
  • O Novo Código Florestal
  • Participação política
  • Reflexos da violência no Brasil
  • Rio +20
  • Tragédia no Japão
  • União civil entre homossexuais
  • Violência nas escolas
Confira informações importantes sobre a redação do Enem no Programa da Web
Rádio Escola, produzido pela Secretaria de Estado de Educação do Paraná.

PREMIO TECNOLOGIAS SOCIAIS

Caros colegas professores, está aberta a inscrição para o premio tecnologias sociais, creio que é importante se inscrever e receber o material que é a revista Forum.Acessem o link http://www.aprenderensinarts.com.br/ 

MUNDO MELHOR

É importante o conhecimento para que cada vez mais possamos ser pessoas melhores, que tornem o mundo melhor, pelo nosso modo de se , por isso listo algumas dicas : 
EVITE ISSO : 
*Chamar as pessoas por apelidos. Ninguém gosta de ser chamado por apelidos maldosos, preconceituosos ou irônicos. 
*Rir de situações embaraçosas. As situações embaraçosas, um tombo, por exemplo deixa a pessoa envergonhada, chateada, irritada. Não deboche. Ajude se for possível. 
*Chamar alguém assobiando. É uma falta de educação muito grande. As pessoas tem nome.
*Preguiça. Fuja dela. Principalmente quando você tem responsabilidades, exemplo : fazer um trabalho, tema de casa.
*Colar na prova. Evite. Colar é um ato desrespeitoso com os colegas que estudaram e com o professor que preparou as questões e à sua inteligência. Se não estudou, aguente as consequências. Se não aprendeu direito, busque ajuda. 
*Copiar tarefas de quem já fez.Uma vez ou outra vá lá. Mas jamais  fazer disso uma rotina, uma pratica de quem quer ser mais esperto que os outros.Faça as suas tarefas, e aprenda que a vida toda você terá suas tarefas, escolares ou não.
*Desanimar com a derrota. Todos nós aprendemos com as derrotas.A vida é uma constante de perdas e ganhos.
*Levar objetos estranhos para sala de aula. Ex. Celular. Pense um pouco: escola, sala de informatica, sala de aula, biblioteca, são lugares de aprendizagem, de atenção, de concentração. Qualquer coisa diferente, estranha, não relacionada ao que você e seus colegas estão estudando vai atrapalhar. 
 Pessoal, se todos seguirem estas dicas, o nosso dia-a-dia será muito mais harmonioso. Na sala de aula, haverá muito mais aprendizado. E com certeza faremos da escola, da cidade que moramos um lugar melhor para se viver. 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

IDEB

Sairam os índices de avaliação do IDEB 2011. Santa Catarina desponta em nivel nacional em 2º lugar no ensino do 6ºano ao 9º ano e em 1º lugar  no Ensino Médio. Estes indices devem ser comemorados pelos professores que no dia-a-dia de sala de aula estão comprometidos com a formação dos estudantes. O interessante é que o ano passado tivemos greve de 45 a 50 dias, e ainda assim os indices são bons. Será que o governo de Santa Catarina não percebe que estes indices se deve ao trabalho dos professores, que mesmo sem a infraestrutura necessária, sem o pagamento do piso na carreira, são profissionais do mais alto gabarito. Parabéns aos professores e alunos de  SC.

LENDAS


A lenda do Romãozinho é uma das belas lendas brasileiras do Centro-Oeste do Brasil 
Romãozinho

         Filho de negro trabalhador, Romãozinho nasceu vadio e malcriado.
         Tinha todos os dentes, fisionomia fechada, hábitos errantes, nenhuma bondade no coração.
         Divertimento era maltratar animais e destruir plantas.
         Menino absolutamente perverso.
         Um meio-dia, a mãe mandou-o levar  o almoço ao pai, que trabalhava num roçado, distante de casa.
         Romãozinho foi, de má vontade.
         No caminho, parou, abriu a sexta, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, recolocou-os na toalhinha, e foi entregar ao pai.
         Quando o velho deparou ossos em vez de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela.
         Romãozinho entendeu vingar-se da mãe, que ficara fiando algodão no alpentre da casinha:
         - É o que me deram... Minha mãe comeu a galinha  com homem que aparece lá em casa quando o senhor não está por perto.
         Pegaram os ossos e disseram que trouxesse. Eu trouxe. É isso aí...
         O negro meteu a enxada na terra, largou o serviço e veio correndo. Encontrou a mulher fiando, curvada, absorvida na tarefa.
         Dando crédito ao que lhe dissera o filho, puxou a faca e matou-a.
         Morrendo, a velha amaldiçoou o filho, que estava rindo:
         - Não morrerás nunca. Não conhecerás o céu, nem o inferno, nem o descanso enquanto o mundo for mundo...
         Faz muito tempo que este caso sucedeu em Goiás.
         O moleque ainda está vivo e do mesmo tamanho; anda por todas as estradas, fazendo o que não presta; quebra telhas a pedradas, espalha animais, assombra gente, tira galinha do cocho, desnorteia quem viaja, espalhando um medo sem forma e sem nome; é pequeno, preto, risão, sem ter fé nem juízo.
         Homens sérios têm visto Romãozinho.
         Furtou uma moça na chapada de Veadeiros; conversou com o coletor de Cavalcanti; virou fogo-azul, indo-e-vindo na estrada, perto de Porto nacional.
         Não morrerá nunca enquanto uma pessoa humana existir no mundo.
         E, como levantou falso contra sua própria mãe, nem mesmo no inferno haverá lugar para ele...