quinta-feira, 16 de agosto de 2012

LENDAS


A lenda do Romãozinho é uma das belas lendas brasileiras do Centro-Oeste do Brasil 
Romãozinho

         Filho de negro trabalhador, Romãozinho nasceu vadio e malcriado.
         Tinha todos os dentes, fisionomia fechada, hábitos errantes, nenhuma bondade no coração.
         Divertimento era maltratar animais e destruir plantas.
         Menino absolutamente perverso.
         Um meio-dia, a mãe mandou-o levar  o almoço ao pai, que trabalhava num roçado, distante de casa.
         Romãozinho foi, de má vontade.
         No caminho, parou, abriu a sexta, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, recolocou-os na toalhinha, e foi entregar ao pai.
         Quando o velho deparou ossos em vez de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela.
         Romãozinho entendeu vingar-se da mãe, que ficara fiando algodão no alpentre da casinha:
         - É o que me deram... Minha mãe comeu a galinha  com homem que aparece lá em casa quando o senhor não está por perto.
         Pegaram os ossos e disseram que trouxesse. Eu trouxe. É isso aí...
         O negro meteu a enxada na terra, largou o serviço e veio correndo. Encontrou a mulher fiando, curvada, absorvida na tarefa.
         Dando crédito ao que lhe dissera o filho, puxou a faca e matou-a.
         Morrendo, a velha amaldiçoou o filho, que estava rindo:
         - Não morrerás nunca. Não conhecerás o céu, nem o inferno, nem o descanso enquanto o mundo for mundo...
         Faz muito tempo que este caso sucedeu em Goiás.
         O moleque ainda está vivo e do mesmo tamanho; anda por todas as estradas, fazendo o que não presta; quebra telhas a pedradas, espalha animais, assombra gente, tira galinha do cocho, desnorteia quem viaja, espalhando um medo sem forma e sem nome; é pequeno, preto, risão, sem ter fé nem juízo.
         Homens sérios têm visto Romãozinho.
         Furtou uma moça na chapada de Veadeiros; conversou com o coletor de Cavalcanti; virou fogo-azul, indo-e-vindo na estrada, perto de Porto nacional.
         Não morrerá nunca enquanto uma pessoa humana existir no mundo.
         E, como levantou falso contra sua própria mãe, nem mesmo no inferno haverá lugar para ele...

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